Paulo Roberto Gomes Fernandes, representante e presidente da Liderroll, esteve em Portugal no final de 2022 em meio a um movimento estratégico de reposicionamento internacional da empresa, motivado pela escassez de novos projetos estruturantes no Brasil e pela abertura de oportunidades concretas no mercado europeu. Naquele contexto, a companhia já acumulava experiência em projetos de consultoria e engenharia aplicados à construção de gasodutos complexos nos Estados Unidos, na Ásia e no Oriente Médio, especialmente em travessias especiais e cruzamentos de túneis de longa extensão.
Ao longo desse período, a Liderroll consolidara um portfólio singular. Era então reconhecida como uma das poucas empresas no mundo com domínio técnico comprovado na construção e no lançamento de oleodutos e gasodutos em ambientes confinados, contando com mais de oito patentes exclusivas registradas e concedidas em mais de 53 países, incluindo na Comunidade Europeia e na Índia. Esse histórico técnico foi determinante para que a empresa passasse a olhar Portugal não apenas como um ponto de entrada regional, mas como uma plataforma estratégica para atuação em projetos europeus de infraestrutura energética.
A criação da OVIA e o reposicionamento de Oeiras
O movimento da Liderroll coincidiu com a criação da Oeiras Valley Investment Agency (OVIA), uma nova agência portuguesa concebida para internacionalizar a região de Oeiras e atrair empresas estrangeiras, com atenção especial ao empresariado brasileiro. A agência foi apresentada oficialmente em um evento realizado no Templo da Poesia, no Parque dos Poetas, em Paço de Arcos, reunindo autoridades locais, representantes institucionais e agentes econômicos interessados em ampliar a presença internacional do município.
Paulo Roberto Gomes Fernandes explica que a OVIA nasceu como uma associação sem fins lucrativos, com a missão de apoiar financeira e logisticamente a instalação de startups e de empresas já consolidadas, oferecendo suporte para participação em eventos internacionais, articulação com parceiros locais e estrangeiros e facilitação de investimentos produtivos na região. À época, a iniciativa foi descrita como uma expressão da chamada diplomacia econômica municipal, voltada a inserir Oeiras de forma mais competitiva no circuito global de negócios.
A aproximação da Liderroll com o ambiente institucional português
Representantes ligados à Liderroll acompanharam de perto esse processo inicial, avaliando a agência como um canal relevante para viabilizar projetos de médio e longo prazo em Portugal. O interesse da empresa estava associado não apenas à engenharia de dutos em si, mas também a oportunidades correlatas, como a construção e modernização de píeres, terminais marítimos e estruturas logísticas voltadas ao recebimento de granéis e hidrocarbonetos na costa portuguesa.

Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes naquele momento, a ampliação e diversificação das portas de entrada para insumos energéticos era um tema central no cenário internacional pós-pandemia. Conflitos armados em curso, tensões geopolíticas e fragilidades em cadeias de suprimento haviam reforçado a dependência energética entre países e regiões, tornando cada vez mais estratégica a existência de rotas alternativas e infraestruturas resilientes de transporte de energia.
Energia, geopolítica e decisões estruturais
Ainda em 2022, o debate sobre segurança energética dominava o cotidiano de governos, operadores e estrategistas. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a discussão sobre novas matrizes e fontes alternativas era legítima, mas não eliminava a necessidade imediata de manter e expandir redes de gasodutos e oleodutos capazes de garantir abastecimento contínuo. Na sua visão, projetos de infraestrutura energética precisavam ser pensados como elementos de subsistência e estabilidade social, especialmente em um cenário global marcado por instabilidades e choques externos.
A experiência acumulada pela Liderroll em projetos realizados nos Estados Unidos, Jordânia, Chile, Peru, Rússia e Turcomenistão servia como referência prática para esse diagnóstico. Esses projetos mostravam, segundo ele, que muitas soluções já estavam disponíveis e dominadas tecnicamente, sendo mais produtivo aprimorar e aplicar o que existia do que adiar decisões estruturais à espera de tecnologias ainda em consolidação.
Um movimento estratégico observado em retrospectiva
Paulo Roberto Gomes Fernandes compreende que, visto a partir de janeiro de 2026, o reposicionamento da Liderroll em direção a Portugal, em 2022, pode ser compreendido como parte de uma estratégia mais ampla de internacionalização e diversificação de mercados. A aproximação com a OVIA e com o ambiente institucional português representou uma tentativa concreta de inserir a engenharia brasileira em novos projetos europeus, em um momento em que o debate sobre energia, logística e soberania de abastecimento ganhava centralidade no cenário global.
Mais do que uma iniciativa pontual, aquele movimento refletiu a leitura de que a infraestrutura energética continuaria a desempenhar um papel decisivo por muitos anos, exigindo soluções técnicas maduras, visão estratégica e capacidade de execução em ambientes cada vez mais complexos.
Autor: Ekaterina Smirnova
