Domine o custo de capital na leitura e leve sua carreira para o próximo nível!

Vera Eldsen Por Vera Eldsen
Valdoir Slapak

Um projeto de investimento pode apresentar lucro contábil positivo ao final de sua execução completa e, ainda assim, ter destruído valor para a empresa que o financiou desde o início. Como evidencia Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, essa afirmação, que parece contraditória à primeira vista para muitos gestores e analistas menos experientes, faz sentido quando se compreende que lucro positivo não é o mesmo que retorno suficiente: todo capital investido tem um custo real e mensurável, e um projeto só cria valor efetivo para a empresa quando seu retorno supera esse custo, não apenas quando gera algum lucro em termos absolutos ao final do período avaliado.

O que o WACC representa?

O custo médio ponderado de capital, conhecido pela sigla em inglês WACC, representa a taxa mínima de retorno que um projeto precisa gerar para justificar o capital nele investido, considerando simultaneamente o custo da dívida e o custo do capital próprio utilizados para financiá-lo, ponderados conforme a proporção de cada fonte na estrutura de capital da empresa. Tal como indica Valdoir Slapak, essa taxa funciona como uma espécie de vara de medir para qualquer decisão de investimento relevante: projetos com retorno esperado abaixo do WACC destroem valor, mesmo quando apresentam lucro contábil positivo, enquanto projetos com retorno acima dele efetivamente criam valor para os acionistas da empresa.

O cálculo do WACC combina o custo de capital de terceiros, geralmente representado pela taxa de juros média paga pela empresa em suas dívidas, ajustada pelo benefício fiscal decorrente da dedutibilidade dos juros, e o custo de capital próprio, que representa o retorno mínimo exigido pelos acionistas para justificar o risco de investir naquele negócio específico, em vez de alternativas de investimento com perfil de risco semelhante disponíveis no mercado. Cada uma dessas fontes de capital entra no cálculo, devidamente ponderada pela proporção que efetivamente representa na estrutura total de financiamento da empresa, de modo que uma companhia financiada majoritariamente por dívida terá um WACC influenciado com mais peso pelo custo dessa dívida do que pelo custo do capital próprio disponível.

Valdoir Slapak
Valdoir Slapak

O erro mais comum na avaliação de projetos

Como pondera Valdoir Slapak, o erro mais comum na avaliação de projetos de investimento é comparar o retorno esperado apenas com a taxa de juros da dívida contraída para financiá-lo, ignorando completamente o custo do capital próprio envolvido na operação. Esse erro metodológico tende a aprovar projetos que, embora superem o custo da dívida, ficam abaixo do WACC completo, gerando uma falsa sensação de viabilidade financeira que só se revela problemática quando o retorno real é comparado ao custo de capital total da empresa. Esse tipo de distorção costuma ser bem mais comum em empresas que ainda não formalizaram um processo estruturado de avaliação de investimentos, deixando a decisão baseada em intuição ou em comparações parciais e incompletas do retorno esperado.

Empresas com maior proporção de capital próprio em sua estrutura de financiamento tendem a apresentar WACC significativamente mais elevado do que empresas fortemente alavancadas, já que o capital próprio, por carregar mais risco para o investidor, geralmente exige retorno esperado superior ao exigido por credores de dívida. Essa diferença explica por que projetos idênticos podem ser viáveis para uma empresa e completamente inviáveis para outra, dependendo exclusivamente da estrutura de capital de cada uma delas, e não das características intrínsecas do projeto avaliado em si.

Revisão periódica e disciplina de capital

O WACC também deveria ser revisado periodicamente e com regularidade, e não tratado como constante ao longo do tempo, já que mudanças nas taxas de juros de mercado, na estrutura de capital da empresa ou na percepção de risco dos investidores alteram diretamente essa taxa mínima de retorno exigida, tornando obsoletas avaliações de viabilidade conduzidas com base em premissas desatualizadas, na leitura de Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica. 

Empresas que utilizam o WACC de forma consistente como critério de aprovação de investimentos tendem a alocar capital de forma mais disciplinada e criteriosa, evitando o erro recorrente de aprovar projetos apenas porque geram algum retorno positivo, sem considerar se esse retorno é suficiente para compensar o custo real do capital empregado. Essa disciplina, mais do que uma fórmula financeira sofisticada e complexa, funciona como filtro objetivo capaz de separar projetos que efetivamente constroem valor daqueles que apenas parecem viáveis quando analisados de forma superficial e incompleta pela liderança.

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