Como o consórcio pode entrar no planejamento de quem ainda está juntando recursos? O empresário Tiago Oliva Schietti explica

Vera Eldsen Por Vera Eldsen
Tiago Oliva Schietti

Comprar o primeiro imóvel exige mais do que encontrar uma propriedade adequada. De acordo com o empresário Tiago Oliva Schietti, é necessário organizar a renda, avaliar a capacidade de pagamento, definir um prazo possível e reunir recursos para os custos envolvidos na aquisição. Nesse contexto, o consórcio pode fazer parte do planejamento de quem ainda está formando patrimônio e não precisa realizar a compra imediatamente, desde que o participante compreenda como a modalidade funciona e considere que a contemplação pode ocorrer em um momento diferente daquele inicialmente esperado.

Saiba mais a seguir!

O consórcio pode transformar a espera em planejamento

Para quem ainda não possui recursos suficientes para comprar um imóvel à vista, o consórcio oferece uma estrutura de contribuição mensal voltada à formação de um crédito para aquisição futura. O participante entra em um grupo e passa a pagar parcelas conforme as condições estabelecidas no contrato. Essa dinâmica permite organizar a compra ao longo do tempo, sem exigir que o valor total do imóvel esteja disponível no início do planejamento.

Assim como esclarece Tiago Oliva Schietti, a principal diferença em relação ao financiamento está no momento de acesso ao crédito. No financiamento, o comprador normalmente recebe o recurso para realizar a aquisição e assume o pagamento da dívida. No consórcio, é necessário aguardar a contemplação para utilizar a carta de crédito, seja por sorteio ou por lance, conforme as regras do grupo. Essa diferença torna o prazo de compra um dos principais fatores a serem considerados antes de escolher entre as duas modalidades.

A parcela precisa caber no orçamento atual

Entrar em um consórcio para comprar o primeiro imóvel não significa apenas escolher uma carta de crédito compatível com o preço desejado. A parcela precisa ser analisada dentro da realidade financeira atual, considerando renda, despesas fixas, outras dívidas e possíveis mudanças no orçamento. Também é importante preservar uma margem para situações inesperadas, evitando comprometer uma parcela excessiva da renda com um único compromisso.

Também é importante observar que o custo da prestação não se resume necessariamente à contribuição destinada ao fundo comum. A composição pode envolver taxa de administração, fundo de reserva, quando previsto, e outros valores estabelecidos contratualmente. Conhecer esses componentes ajuda a dimensionar o compromisso assumido. A leitura detalhada do contrato permite identificar como cada valor é calculado e quais condições podem influenciar as parcelas durante o período de participação.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Tiago Oliva Schietti aponta que essa análise deve acontecer antes da adesão, e não depois. Uma parcela que parece administrável isoladamente pode se tornar pesada quando somada às demais despesas mensais. O planejamento do primeiro imóvel precisa considerar a continuidade dos pagamentos durante todo o período do consórcio. Dessa forma, a decisão passa a considerar não apenas o desejo de adquirir a propriedade, mas também a capacidade de manter o compromisso sem comprometer outras prioridades financeiras.

Juntar recursos continua sendo importante

O consórcio não elimina a necessidade de formar uma reserva para os custos relacionados à compra do imóvel. Mesmo com a carta de crédito, podem existir despesas com documentação, tributos, registros, eventuais reformas e outras etapas da aquisição. Antecipar esses gastos ajuda a evitar que despesas adicionais comprometam o orçamento justamente no momento em que a compra estiver sendo concretizada.

Além disso, quem pretende utilizar um lance para tentar antecipar a contemplação precisa avaliar de onde sairão os recursos. Utilizar toda a reserva financeira para aumentar a possibilidade de contemplação pode deixar o comprador sem margem para despesas inesperadas, informa Tiago Oliva Schietti. Antes de tomar essa decisão, é importante comparar o valor disponível com outras necessidades que continuarão existindo depois da aquisição.

Por isso, consórcio e formação de recursos podem caminhar juntos. Enquanto as parcelas mantêm o objetivo da aquisição dentro do planejamento, a reserva pode ser construída paralelamente para lidar com custos da compra ou, conforme as regras do grupo e a situação financeira do participante, contribuir para uma estratégia de lance. Manter essas duas frentes organizadas permite que o comprador se prepare tanto para a contemplação quanto para os gastos que surgem na etapa de aquisição.

Compartilhe esse artigo